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28 de junho: o orgulho é também nosso

by | Xuñ 28, 2026 | Destacadas, MNG | 0 comments


O Dia do Orgulho existe porque as pessoas lésbicas, homossexuais e bissexuais fomos perseguidas, encarceradas e assassinadas por amar pessoas do mesmo sexo. Porque a atração sexual pelo mesmo sexo foi criminalizada, patologizada e silenciada durante séculos. Essa é a origem. Esse é o sentido político desta data. E é esse sentido que hoje está a ser sistematicamente deslocado.

Quem é o sujeito do Orgulho

A atração sexual pelo mesmo sexo é a razão de ser deste movimento. As lésbicas amamos mulheres. Os gais amam homens. As pessoas bissexuais amam pessoas de ambos os sexos. Não amamos estereótipos. Não amamos papéis de género. Amamos pessoas concretas, do mesmo sexo. Esta distinção não é menor: é política.

A agenda do transgenerismo confunde a atração sexual pelas pessoas do mesmo sexo com a atração pelos estereótipos que o género representa. E essa confusão não é inocente. O resultado prático é uma nova forma de terapia de conversão: a crença de que uma mulher lésbica que não se identifica com os modelos femininos hegemónicos é, na realidade, um homem. Que um rapaz homossexual que não se ajusta ao modelo masculino dominante é, na realidade, uma mulher. A homossexualidade volta a ser o problema a corrigir.

O feminismo que defendemos parte de um princípio diferente: o problema não está nas pessoas que recusam os estereótipos, está nos próprios estereótipos. A igualdade entre mulheres e homens exige desmontar as imposições que definem o que se espera de cada sexo, não reforçá-las com novos diagnósticos. O transgenerismo, ao contrário do que proclama, não questiona os estereótipos de género. Reforça-os. Diz-nos que se uma mulher não se sente cómoda com a feminilidade normativa, o problema está no seu corpo, não na feminilidade. Diz-nos que se um homem não se reconhece na masculinidade hegemónica, a solução é mudar de sexo, não questionar o que a masculinidade exige. O feminismo diz o contrário.

As lésbicas como objetivo

As lésbicas somos o objetivo mais direto desta ofensiva. O corpo lésbico é, por definição, um corpo que recusou organizar-se em função do desejo masculino. Por isso a lesbianidade incomoda: não é só uma orientação sexual, é uma posição no mundo. E é essa posição que se quer apagar.

A pressão social sobre mulheres jovens que vivem a sua orientação sexual com incerteza ou angústia, dentro de uma sociedade que continua a ser profundamente homofóbica, é real e documentada. Muitos casos de disforia em menores estão associados a uma homossexualidade não aceite, não a uma identidade transexual. A solução não é afirmar a transição: é construir espaços onde as jovens lésbicas possam ser quem são sem vergonha, sem medo, sem pressão para se tornarem invisíveis sob uma nova etiqueta.

Assusta verificar até que ponto os estereótipos de género se normalizaram. Uma mulher de cabelo curto, que não usa maquilhagem nem se depila, que prefere calças a saias e saltos altos, não é «trans»: é uma mulher livre das imposições sexistas. Confundir a não-conformidade de género com uma identidade transexual é impor, de novo, os mesmos estereótipos que o feminismo leva décadas a combater.

A realidade galega

Na Galiza, este padrão não é uma excepção: é parte do mesmo fenómeno europeu e global. O feminismo galego e o movimento lésbico cresceram juntos, dentro das organizações de resistência nacional, num contexto de dupla opressão: a opressão das mulheres e a opressão de um povo sem Estado. As lésbicas galegas não tivemos que esperar que nos dissessem que a orientação sexual e a identidade nacional eram inseparáveis: vivemo-lo. Construímos espaço político onde antes não havia nenhum.

Também na Galiza chegaram as pressões sobre jovens lésbicas para se identificarem como homens trans. Também aqui os serviços de saúde carecem de protocolos rigorosos de acompanhamento. E também aqui as marchas do Orgulho abrem espaço a organizações e pessoas que defendem a barriga de aluguer e a prostituição, duas formas de exploração dos corpos das mulheres que não podem aparecer sob a bandeira de nenhuma emancipação.

A captura do movimento e as nossas exigências

Vemos com tristeza como o Dia do Orgulho se está a converter num espaço onde o transgenerismo ocupa o centro de uma data que tem a sua razão de ser na orientação sexual, não na identidade de género. Onde quem defende a barriga de aluguer e quem apresenta a prostituição como trabalho encontra acolhimento sem questionamento. Onde o movimento que nos protegia começa a ser usado para branquear a exploração de mulheres.

Por isso, exigimos ao movimento LGBT que não ampare, nas suas convocatórias nem nos seus comunicados, quem explora mulheres ou compra bebés. Que as marchas do Orgulho não se convertam em espaços de legitimação da barriga de aluguer nem da prostituição. Explorar mulheres não é motivo de Orgulho.

Na Galiza, sabemos o que custa construir espaço próprio. Sabemos o que custa nomeá-lo, defendê-lo e não cedê-lo. O Orgulho lésbico, homossexual e bissexual é esse espaço. Não o cedemos à barriga de aluguer. Não o cedemos à prostituição como trabalho. Não o cedemos a quem converte a nossa orientação sexual num diagnóstico a corrigir. É nosso. Foi sempre nosso.

Mulheres Nacionalistas Galegas
Galiza, 28 de junho de 2026