A nossa história


Feminismo sem trégua!
Mulheres Nacionalistas Galegas
As Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG) somos uma organização feminista galega que combina a luta pelos direitos das mulheres com a defesa da identidade nacional da Galiza. MNG foi fundada em 1986, e mantém-se ativa até hoje, com presença nas redes sociais, nos conselhos municipais e nas mobilizações feministas na Galiza. A organização destaca-se por sua atuação no movimento feminista e nacionalista, integrando as reivindicações feministas com a luta pela autodeterminação e valorização da cultura galega.
Contexto histórico e fundação
MNG tem surgido num momento de efervescência política e social na Galiza, marcado pelo fortalecimento do movimento feminista e nacionalista. A Galiza, com sua identidade cultural e linguística próprias, buscava recuperar-se e reafirmar sua essência após décadas de repressão cultural e política.
Em 1986, as Mulheres Nacionalistas Galegas foram fundadas com o objetivo de criar um espaço feminista próprio para as mulheres dentro do movimento nacionalista galego, que até então era dominado por vozes masculinas que analisavam o feminismo como um inimigo que dividia a classe operária e a sociedade galega no seu caminho pelo emancipação. As MNG nasceram da necessidade de combater a dupla opressão enfrentada pelas mulheres galegas: como mulheres numa sociedade patriarcal e como parte de uma nação historicamente oprimida. Desde a primeira assembleia fundacional, MNG conformou-se como uma potente escola de formação de quadros feministas que não só educou as suas integrantes, mas que teve e tem uma grande influência em muitas mulheres que se achegaram ao longo destes anos.
No 1999, numa casa de Panxom, reunida a Coordenadora Nacional, tomou a decisão de impulsionar a MMM, mobilizando a milhares de mulheres, organizando a primeira greve de mulheres no nosso país em 10 de outubro de 2000, e colocando o nosso país no movimento feminista internacional de pleno direito.
Na atualidade, a MNG não participa da MMM na Galiza, ao não partilhar a agenda desta organização que tem priorizado outras agendas que nos são alheias, quando não claramente antagônicas com o feminismo.
Objetivos e princípios
Mulheres Nacionalistas Galegas baseia-se em três pilares fundamentais:
1. Feminismo: luta pela igualdade de género, pelos direitos das mulheres e contra todas as formas de violência machista.
2. Nacionalismo galego: defesa da identidade, cultura e língua galega, bem como do direito à autodeterminação da Galiza.
3. Interseccionalidade: reconhecimento de que as opressões fundamentadas no sexo, classe e nação estão interligadas e devem ser combatidas de forma conjunta.
4. Internacionalismo: sentimo-nos parte da metade da população e compartilhamos a opressão patriarcal com as mulheres de todo o mundo, pese a os distintos graus que, segundo os momentos históricos e geopolíticos, esta se manifesta.
Entre os nossos objetivos específicos estão:
– Combater a divisão sexual do trabalho.
– Eliminar a violência machista em todas as suas formas.
– Promover a participação das mulheres na política e na sociedade galega.
– Reivindicar os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, incluindo o direito ao aborto.
– Valorizar o papel das mulheres na história e na cultura galega.
– Combater a discriminação linguística, cultural e no relato histórico das mulheres, apoiando a normalização da nossa língua e cultura, libertando-as de estereótipos patriarcais.

Atuação e contribuições
Desde a sua fundação, as MNG temos desenvolvido uma intensa atividade, destacando-se em várias áreas:
– Mobilizações feministas: MNG participa ativamente nas manifestações e campanhas feministas na Galiza, como o 8 de Março (Dia Internacional das Mulheres) e o 25 de Novembro (Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e as nenas).
– Presença institucional: MNG está presente em conselhos municipais e outras instâncias políticas, onde trabalha para incluir o projeto feminista e a visão nacionalista nas políticas públicas.
– Divulgação e sensibilização: por meio das redes sociais e de publicações, MNG promove debates sobre feminismo, nacionalismo e a situação das mulheres galegas.
– Cultura e identidade: MNG valoriza o papel das mulheres na cultura galega, destacando figuras históricas e contemporâneas que contribuíram para a defesa da língua e da identidade galega.
Desafios
Ao longo dos anos, as MNG enfrentamos desafios tanto internos quanto externos. Internamente, a organização precisou lidar com tensões entre diferentes correntes do feminismo e do nacionalismo, buscando construir uma agenda comum.
Externamente, enfrentou a resistência de setores conservadores do movimento nacionalista galego, que nem sempre priorizavam as reivindicações feministas nem compreendiam a necessidade de espaços próprios.
Atualmente, o maior desafio que enfrentamos é conseguir estabelecer a agenda feminista, destacando as raízes da nossa opressão, para combater a reação machista e neofascista que ameaça os direitos das mulheres em todo o mundo.


Legado e atualidade
MNG mantém-se como uma organização independente no cenário político e social da Galiza. Nossa capacidade de adaptação e presença constante nas lutas feministas e nacionalistas demonstram a vitalidade do nosso projeto. A organização continua a inspirar novas gerações de mulheres galegas, que veem nas MNG um exemplo de resistência e compromisso com a igualdade e a identidade galega.
Hoje, as Mulheres Nacionalistas Galegas continuam a ser uma referência tanto no movimento feminista quanto no nacionalista, mostrando que as lutas pela emancipação das mulheres e pela autodeterminação da Galiza são indissociáveis. Nossa história é um testemunho da força e da determinação das mulheres galegas na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e de uma Galiza independente.



