mng@feminismo.org

Arquivo MNG

Publicaçoes MNG

Web design

Fusce sagittis et nisi in feugiat

SEO Services

Fusce sagittis et nisi in feugiat

eCommerce

Fusce sagittis et nisi in feugiat

Social media marketing

Fusce sagittis et nisi in feugiat

Advertisement

Fusce sagittis et nisi in feugiat

MULLERES NA POLÍTICA PARTIDOS “POLITICAMENTE CORRECTOS”

by | Nov 15, 2025 | Begonha Caamanho | 0 comments

A discriminagom social das mulheres, efecto imediato e visivel do patriarcado, reflicte-se, logicamente, nos partidos políticos e em todas as organizacons que compitem por acadarem quotas do poder, tal vez para o exercer de um jeito diferente, mas que nom o combatem, porque som partícipes do mesmo e nom pretendem realmente derrubar o patriarcado e acometer umha trasformacom radical da sociedade.

Nom é pois estranho a escasa presenga de mulheres nas candidaturas nem a sua práctica inexistencia nos postos de saída quando há possibilidades reais de conseguir esse poder que segue tendo género masculino.

A política de quotas pode levar a umha paridade numérica entre homes e mulheres mas nom garante a igualdade real nem supom a renúncia dos partidos a seguirem perpetuando um sistema social, económica, cultural e politicamente injusto. Nom há dúvida de que proporciona algumhas avantagens aparentes como indica Lupe Cés
no seu artigo. Possíveis mudangas na organizagon interna dos partidos mais beligeráncia das organizacons políticas e possível maior sensibilidade das Administragons para artelhar sistemas públicos que descarguem ás mulheres políticas das “suas” tarefas domésticas e transformacons ainda mais importantes como o facto de que nenas e nenos medrem acostumados a ver tanto mulheres como homens ocupando escanos e postos de responsabilidade, por nom falar do importante que seria que estas mulheres fossem quem de inserir em partidos políticos e instituigons um mínimo de sensibilidade feminista (para isso, claro, seria preciso que as mulheres eleitas fossem feministas).

Mas fronte a estas “avantagens” ha importantes inconvenientes a considerar. A paridade formal de homens e mulheres nos partidos políticos e nas instituiçons contribuirá sem dúvida a oferecer-nos umha imagem de “normalidade” entre géneros que dista muito de ser real. Nos últimos anos, as feministas levamos observando como ao lado de importantes transformacons reais logradas pola nossa luita, o poder finge assumir parte do nosso discurso com o fim de neutralizar-nos e também de conseguir os votos e o respaldo de um amplo sector da sociedade (as mulheres). Hoje em dia é raro que um político nom utilize, polo menos de quando en vez, nos seus discursos a fórmula os/as; todos se mostram horrorizados ante a violéncia de género e anunciam medidas paracombaté-la; aparecem francamente preocupados pola discriminagom laboral e artelham campanhas de prevencom do cancro de mama.

Quase todos os partidos e sindicatos tenhem a sua organizagom de mulheres ao igual que en quase todos os governos há umha área específica da mulher.

Colhem do nosso discurso, das nossas reivindicacons, o justo e necessário para nom serem politicamente incorrectos, mas tenhem muito cuidado em agochar todo o resto, em silenciar, desvituar, ridiculizar e machacar todo contido realmente revolucionário, realmente feminista.

Esta política de gestos e palavras sem contido fai, desgraciadamente, os efectos desejados. Muitas som as mulheres que nom se sentem discriminadas, muitas as que consideram o feminismo algo obsoleto, quando nom umha estridéncia sectária. Muitas som as mulheres e os homens que ainda hoje desconhecem a alternativa global e
radicalmente revolucionária que defendemos.

Ter paridade representativa contribuirá pois ao espelhismo da normalidade e da igualdade e nom garantirá mudangas reais. Pola contra, a sua mentira será mais umnha vez utilizada para neutralizar o avanço feminista.

“Que mais queredes?” Preguntaram. “Já tedes o 50% do poder” Pero o poder seguirá sendo o 100% masculino, ainda que a metade de quem o exerza sejam mulheres, porque derruba-lo para construir algo novo nom é umha questom que radique nos genitais senom na ideologia.

De certo que nom imos desbotar o reformismo. As feministas, muito ao nosso pesar, temos sido impulsoras de políticas reformistas.

Temos exigido reformas (casas de acolhimento, protocolos sanitários, despenalizacom do aborto…) mas som questons de sobrevivencia, de garantir o direito á integridade e á seguirdade das mulheres. Porem nom podemos perder a perspectiva e relegar umha vez mais os verdadeiros objectivos da nossa luita, gastando tempo e esforgos na reivindicagom das quotas.

Que sejam as próprias mulheres que militam nas organizagons políticas patriarcais as que dém essa batalha. Que sejam elas as que se mobilicem contra das actitudes machistas e sectárias dos seus companheiros de partido. Som elas as que tenhem a contradigom e a elas e a quem Ihe compete resolvé-la.

Sei que esta opinióm pode parecer em extremo dura e mesmo insolidária. Desde logo, nom é politicamente correcta. Pero as feministas temos que comegar a revisar aquele principio da “solidariedade entre mulheres” que há tam só uns anos parecia-nos universalmente válido.

Ser mulher nom significa ser feminista. Ser concelheira, conselheira, ministra ou presidenta nom quere dizer fazer políticas feministas, nem sequer é garantia de maior sensibilidade, honestidade ou justiza.

Pensar isso seria volver a aquel feminismo romántico que pretendia que as mulheres éramos essencialmente boas; que a temura a solidariedade e a generosidade eram características nidiamente femininas mentres que a agressividade, a competitividade e a violéncia eram masculinas. Podemos ser tam más, tam violentas, tam agressivas, repressoras e corruptas como o máis infame dos homens.

Somos as principais vítimas do patriarcado, pero isso nom nos convirte em melhores. Nom som os nossos genes nem os nossos genitais, é a nossa ideologia quem nos fai defender valores distintos aos patriarcais. É o feminismo quem nos converte en insubmissas e revolucionárias.

Temos pois que superar o discurso da paridade no poder para reclamar a destruigom desse poder que nos afoga. Temos que deixar de reivindicar mulheres para exigir feminismo.

Creio ademais que a incorporacom da mulher á política, aos postos de decissom nas administragons, na banca, nos organismos internacionais é um processo imparável, que se vai dar de seu, a medida que as mulheres vaiamos perdendo medos e complexos e ganhando em ambigom e seguridade. E temos que estar preparadas para ver como, á margem da introducom de reformas (algumhas delas aguardo que realmente importantes), o poder seguirá sendo o mesmo ainda que se escreva en “o/a”. Seguiremos submetidas e submetidos á lei do “PA!” ainda que o pai seja umha mulher.

Nom é pois missom das feministas favorecer a implantagom das quotas. Ao contrário temos que evidenciar as contradigons dos partidos políticos que se definem como progressistas, que se dim defensores de mudangas sociais e que utilizam e perpetuam as mesmas estruturas do poder.

Simpatia para as mulleres que militam em organizacons políticas mixtas?, toda a do mundo. Na meirande parte dos casos tenhem ao inimigo na casa, melhor dito, estam na casa do inimigo. Se quadra algumha delas, farta de dar batalhas internas, vem militar no feminismo independente.

Nom esquegamos que o nosso objectivo nom é ter a umha mulher de presidenta da Junta, senom umha Galiza feminista.

Begonha Caamanho (Militante de MNG)

Publicado no DeLiberadaMente. Julho 1999