O alarmante crescimento do desemprego no nosso país está fazendo perigar o processo de liberaçom feminina. Quando pensávamos que a dupla jornada, a discriminaçom salarial ou a dificuldade para aceder aos postos de responsabilidade iam centrar as reivindicaçons das mulheres na última década deste milénio, a fim do século surpreende-nos com umha crise que ameaça com nos devolver à limitaçom dos lares e do trabalho doméstico.
A luita contra o desemprego e contra o modelo socio-económico que o potência é problema comúm a homens e mulheres, mas seria néscio negar que, mais umha vez, a nós vai-nos tocar a pior parte.
Desde o governo do estado e desde o da Xunta, estám-se fazendo já veladas recomendaçons aos empresários para que no momento de efectuar despedimentos, tenham conta de nom deixar no paro aos “cabeças de familia” se há outras possibilidades. Estas recomendaçons podem afectar também aos comités de empresa, formados maioritariamente por homens, e, sendo claras, o conjunto da sociedade nom se arrancou ainda totalmente a ideia de que o trabalho da mulher é mais umha ajuda à economia familiar da que o peso fundamental segue correspondendo aos varons.
Há incluso parelhas que numha ideia equivocada da solidariedade, pensam na possibilidade de que um dos seus membros renúncie ao seu posto de trabalho, já que os dous podem viver com o salário do outro. Adivinhar quem seria nesse caso o que renunciasse nom é demasiado dificil.
Junto ao crescimento do desemprego, produze-se umha disminuiçom das prestaçons e os serviços sociais. Já que depois a presença permanente de alguém na casa para atender a meninos e anciáns volverá a ser quase imprescindível e, nesse suposto, já sabemos a quem se lhe atribui a capacidade natural para se encarregar destas tarefas.
As mulheres somos pois os elementos idóneos para ser as primeiras vítimas do fracasso do modelo económico da socialdemocracia. Para nós, o paro tem os mesmos efeitos negativos que para qualquer trabalhador, mas ademais trai consigo um retrocesso na nossa história e na nossa luita.
Nom existe a reciprocidade. Mesmo trabalhadoras e idependentes económicamente tinhamos que nos enfrentar sós à responsabilidade doméstica, ou fazer da convivência umha luita quase diária. Volver a ficar na casa, a depender do salário de um companheiro será retornar á alienaçom à obscuridade e à escravatura.
Begonha Caamanho. Março do 94.
Publicado no Extra do 8 de Março 1994 _ CONTRA A NOSSA EXPLORAÇOM. INSUBMISSOM




